A minha rua

Paz, 09.02.2009;

uma Lisboa do Botelho

Vocês já repararam que não há país no mundo que não tenha várias Ruas da Paz? A minha Rua é uma delas, a Rua da Paz da minha cidade interior, indispensável poiso nesta transumância de Vida em Vida.

Parentes, Amigos, Companheiros. Esta é a minha Rua, esquina de expatriada, ponto de encontro ao alcance do abraço virtual. Sala de visitas, livro de memórias, caderno de viagens, album de fotografias.

Visitante que entraste desavisado, sê benvindo, mas não procures aqui sabedoria enciclopédica, bitates de mestre ou truques de guru. Aqui, é a minha Rua, por aqui esvoaçam impressões, vagueiam sentimentos, poisam risos e sorrisos, correm gostos e desgostos (nunca lágrimas e arrelias, que essas não se partilham, espantam-se o mais depressa possível para não contagiarem). Se o que encontras te agrada, então aproxima-te, porque também é assim que nascem os amigos.

Paz, 2005


 

Avez-vous remarqué qu’il y a, dans chaque pays du Monde, dans plusieurs villes, une Rue de la Paix? Ma Rue est l’une d’entre elles, la Rue de la Paix de ma ville intérieure, indispensable port d’attache dans cette transumance de Vie en Vie.

Parents, Amis, Compagnons. Voici ma Rue, mon coin d’expatriée, point de rencontre à distance de l’embrassade virtuelle. Salle de visites, livre de mémoires, carnet de voyages, album de fotos.

Toi, Visiteur, qui es arrivé par hasard, sois le bienvenu. Mais ne cherche pas ici du savoir encyclopédique, des oratoires de maître ou des trucs de gourou. Ici c’est ma Rue, par ici survolent des impressions, errent des sentiments, se déposent rires et sourires, coulent des gouts et des dégouts (jamais des larmes et des ennuis, car ceux-là on les chasse le plus rapidement possible pour ne pas se contagier). Si tu entrevois quelque chose qui te plait, et bien, approche toi, car c’est aussi comme ça que naissent les amis.

Paz, 2005

5 comentários a ' A minha rua '

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  1. 19.03.2010, 9:15 pm
    De Franco:

    Será que a paz te conduz
    Ao silêncio que regenera?
    Em mim oiço a voz que sofre
    Invocando o deus que venera
    Mas não consegue evitar
    A disputa a morte vera
    Mais forte que o balbuciar
    Da criança que desespera
    É este destino infiel
    Que me arrasta para a fera
    Terás o unguento o papel
    Onde se escreve a direito?
    Virá dos sonhos que vives
    Um mundo quase perfeito?

  2. 21.03.2010, 10:42 pm
    De Franco:

    Est-ce que la paix te conduit
    Au silence que te réjouis?
    J´écoute la voix qui soufre
    Appeler le dieu vénéré
    Il n´empêche pas la dispute
    La vrai mort
    Comme le cri de l´enfant
    Dans un désespoir soudain
    Est-ce le destin infidèle
    Qui me pousse vers la bête?
    Auras-tu l´huile sacré
    Ou même le papier
    Où ont écris vérité?
    Est-ce que tu vis dans tes rêves
    Un monde plutôt parfait?

  3. 28.03.2010, 11:14 pm
    De Franco:

    “Ode à Paz” , por Natália Correia

    Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
    Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
    Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
    Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
    Pela branda melodia do rumor dos regatos,

    Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
    Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
    Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
    Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
    Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
    Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
    Pelos aromas maduros de suaves outonos,
    Pela futura manhã dos grandes transparentes,
    Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
    Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
    Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
    Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
    Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
    Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
    Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
    Abre as portas da História,
    deixa passar a Vida!

    Natália Correia, in “Inéditos (1985/1990)”

  4. 04.04.2010, 7:04 pm
    De Paz:

    Olá Franco. Obrigada pelos belos poemas. Estou à espera de um dia inspirado para responder. Não em poema, que não é a minha linguagem, mas as tuas palavras inspiram-me outras. Só tenho de as reunir e temperar. É para um tempero gostoso que tenho de esperar pela inspiração. 1 abraço.

  5. 05.04.2010, 2:16 am
    De Franco:

    São sempre as palavras que inspiram
    Menos as que vemos vibrar à nossa frente
    Vê-las escritas
    É uma forma diferente
    Um acto diferido
    Em forma de semente
    Que talvez nunca seja devolvido
    Quedando-se esquecido
    Entre os papéis destinados a circular
    Nas nossas mesas
    De forma estranha irregular
    Até que um dia
    Emergem como por acaso
    E deixamos escapar como um lamento
    Esse estranho sentimento
    De que passou o prazo
    De que já foi há tanto tempo
    Nem sabemos já se ainda vivem
    As células que as marcaram
    Depois passado um momento
    Cairão numa estranha câmara lenta
    Num cesto de papéis
    Num último estado de indiferença
    Antes de morrerem de morte natural
    Como se fossem a verdade
    Ou um misterioso chacal

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