A minha rua

Vocês já repararam que não há país no mundo que não tenha várias Ruas da Paz? A minha Rua é uma delas, a Rua da Paz da minha cidade interior, indispensável poiso nesta transumância de Vida em Vida.
Parentes, Amigos, Companheiros. Esta é a minha Rua, esquina de expatriada, ponto de encontro ao alcance do abraço virtual. Sala de visitas, livro de memórias, caderno de viagens, album de fotografias.
Visitante que entraste desavisado, sê benvindo, mas não procures aqui sabedoria enciclopédica, bitates de mestre ou truques de guru. Aqui, é a minha Rua, por aqui esvoaçam impressões, vagueiam sentimentos, poisam risos e sorrisos, correm gostos e desgostos (nunca lágrimas e arrelias, que essas não se partilham, espantam-se o mais depressa possível para não contagiarem). Se o que encontras te agrada, então aproxima-te, porque também é assim que nascem os amigos.
Paz, 2005
Avez-vous remarqué qu’il y a, dans chaque pays du Monde, dans plusieurs villes, une Rue de la Paix? Ma Rue est l’une d’entre elles, la Rue de la Paix de ma ville intérieure, indispensable port d’attache dans cette transumance de Vie en Vie.
Parents, Amis, Compagnons. Voici ma Rue, mon coin d’expatriée, point de rencontre à distance de l’embrassade virtuelle. Salle de visites, livre de mémoires, carnet de voyages, album de fotos.
Toi, Visiteur, qui es arrivé par hasard, sois le bienvenu. Mais ne cherche pas ici du savoir encyclopédique, des oratoires de maître ou des trucs de gourou. Ici c’est ma Rue, par ici survolent des impressions, errent des sentiments, se déposent rires et sourires, coulent des gouts et des dégouts (jamais des larmes et des ennuis, car ceux-là on les chasse le plus rapidement possible pour ne pas se contagier). Si tu entrevois quelque chose qui te plait, et bien, approche toi, car c’est aussi comme ça que naissent les amis.
Paz, 2005
19.03.2010, 9:15 pm
De Franco:
Será que a paz te conduz
Ao silêncio que regenera?
Em mim oiço a voz que sofre
Invocando o deus que venera
Mas não consegue evitar
A disputa a morte vera
Mais forte que o balbuciar
Da criança que desespera
É este destino infiel
Que me arrasta para a fera
Terás o unguento o papel
Onde se escreve a direito?
Virá dos sonhos que vives
Um mundo quase perfeito?
21.03.2010, 10:42 pm
De Franco:
Est-ce que la paix te conduit
Au silence que te réjouis?
J´écoute la voix qui soufre
Appeler le dieu vénéré
Il n´empêche pas la dispute
La vrai mort
Comme le cri de l´enfant
Dans un désespoir soudain
Est-ce le destin infidèle
Qui me pousse vers la bête?
Auras-tu l´huile sacré
Ou même le papier
Où ont écris vérité?
Est-ce que tu vis dans tes rêves
Un monde plutôt parfait?
28.03.2010, 11:14 pm
De Franco:
“Ode à Paz” , por Natália Correia
Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!
Natália Correia, in “Inéditos (1985/1990)”
04.04.2010, 7:04 pm
De Paz:
Olá Franco. Obrigada pelos belos poemas. Estou à espera de um dia inspirado para responder. Não em poema, que não é a minha linguagem, mas as tuas palavras inspiram-me outras. Só tenho de as reunir e temperar. É para um tempero gostoso que tenho de esperar pela inspiração. 1 abraço.
05.04.2010, 2:16 am
De Franco:
São sempre as palavras que inspiram
Menos as que vemos vibrar à nossa frente
Vê-las escritas
É uma forma diferente
Um acto diferido
Em forma de semente
Que talvez nunca seja devolvido
Quedando-se esquecido
Entre os papéis destinados a circular
Nas nossas mesas
De forma estranha irregular
Até que um dia
Emergem como por acaso
E deixamos escapar como um lamento
Esse estranho sentimento
De que passou o prazo
De que já foi há tanto tempo
Nem sabemos já se ainda vivem
As células que as marcaram
Depois passado um momento
Cairão numa estranha câmara lenta
Num cesto de papéis
Num último estado de indiferença
Antes de morrerem de morte natural
Como se fossem a verdade
Ou um misterioso chacal